Natureza templo

Tem um caminho, feito de arte e engenho, que também faz a ligação do longe para o centro, é uma rota marcada na pele, marca de nascença, muito protegida pelas crianças em idade de precocidade. Este caminho confabula com as ideias e com os sentidos, faz andar em direção diversa, imprime em cada passo a dispersão e culmina no pico da montanha mais alta da imaginação. Sara doença e medo. É caminho familiar, aprendido sem ensinamento, feito boca de recém-nascido que sabe encontrar o bico do leite.

É parte da natureza humana a reflexão. Pensar sobre a vida, sobre o caminho e sobre como seguir em frente observando o passado, a partir de onde se imagina o futuro. Sankofa[1] pede licença aos pais, aos tios, aos mais velhos, aos muito mais velhos e aos tão mais velhos que por já não estarem entre nós, vivem no atemporal. É parte da vida humana pensar sobre a vida e sobre o vínculo com a terra, bem como viver o pensamento, no sentido de experimentar o pensar. Uma unidade territorial destinada a refletir sobre o vínculo do ser humano com um ambiente conservado proporciona a construção de valores que incluem o ambiente no humano e o humano no ambiente, como partes integrantes da mesma paisagem.


[1] Sankofa é o passado presente. O pássaro que segue em frente mas não deixa de observar e ter contato com seus ancestrais. Um ideograma presente no adinkra (conjunto de símbolos ideográficos de alguns povos do grupo linguístico da África Ocidental). Pode ser representado por um pássaro com a cabeça voltada para trás.