
VISLUMBRE
Não vislumbrava sentido em nada que enxergasse, então, sonhava o momento em que alguém o pudesse ver.
He couldn´t find any meaning in whatever he saw, and then he dreamed of the moment where someone could see him.
DETALHE QUE NÃO SE VÊ
Um detalhe que não passava despercebido. Compondo a praça, a sereia de pedra já não era monumento, era manifesto.
Detail that could not go unseen. As part of the plaza, the stone mermaid was no loger a monument, it was a manifest.

embrulho
Embrulhada em plástico bolha, colecionava passados como se fossem presentes.
Wrapped in past as if they were presents.


desencontro
Todos os dias, no horário marcado, sentavam juntos para um desenvontro.
Every day, on the scheduled time, they sat togethes to miss-match.


cuidado
Gostava tanto da terra que por cuidado não a pisava, estava sempre a voar.
Liked so much the Earth that by careful could not stepped on, was always to fly.
CEGUEIRA VOLUNTÁRIA
Infinitas estórias embaralham visões. Encontro de ausências por um fio de luz. A cegueira voluntária gera efeito catarata.
Infinite stories blur your sight. I see absences through a beam of ligth. The voluntary blindness causes a cascade effect.
Paul Gouguin dizia “fecho os olhos para ver” o que ele não podia sentir com o olhar, mas visionar com a sendibilidade pura. Talvez só os cegos como Borges pudessem pressentir e “desver”, em suas bibliotecas mágicas e sensoriais, as coisas de que Manoel de Barros seria frequente freguês.
Bené Fontes, sobre a exposição Imagens de Imaginar
A exposição fotopoética Imagens de Imaginar foi traduzida para quatro idiomas, para além da linguagem do braile, tendo percorrido seis países: Alemanha, Portugal, França, Cabo Verde, Argentina, Brasil e EUA.



Fotografias de um cotidiano urbano inquietante cristalizaram imagens de um tempo/espaço que gritavam por se revelar. A partir da idéia de que ninguém vê o todo, mas partes de uma cena, fragmentos de uma estória, recortes de um tempo, foi criada esta exposição com textos que acompanham fotografias, capazes de descrever o não revelado. Os textos foram traduzidos para o braile e algumas fotografias ganharam relevo numa exposição para cegos. Mas afinal quem não é?
Textos: Larissa Malty
Fotografias: Fernando Tatagiba