
Perspetivas de Ecologia Humana
Num ciclo de comunicação entre os universos, o universo de fora e o universo de dentro, seres vivos e habitat seguem em processo de cocriação. O olhar altera a paisagem e a cidade educa o olhar.
Lado de Fora é uma exposição de olhares de alunos e docentes do curso de Ecologia Humana, da Universidade Nova de Lisboa, que expõe o cotidiano na busca pela denúncia e pela esperança. A ligação entre estes dois lados poderá estar na superfície da pele, mas aprofunda-se infinitamente na existência, enquanto houver curiosidade e desejo de caminhada.
mas afinal, onde é o fora?
E mesmo a lua, satélite que circula fora do circuito das ideias circulares, tem ela sua luz incluída no buraco negro da iris. Se pudesse refletir os pensamentos saberíamos a evolução clara de um planeta com camadas de lixo compondo sua geologia.
De fora, o vento faz os coqueiros aplaudirem a passagem humana pela beira-mar. Ninguém o vê, mas sabe-se que está lá, girando areias intercontinentais de um deserto para uma praia distante.
E a noite que encobre os mau feitos da cidade, antes de cobrir o céu de escuro, abraça o dia e o emenda em lusco-fusco, como se pedisse licença para regenerar a floresta cortada.
Na divisa dos países moram rios e vales, responsáveis pela delimitação do território comum. Também eles se riem e se valem de sua grandeza para troçar dos humanos e suas lógicas.
dentro da terra
No fundo do poço incontáveis moedas brilham como estrelas, espelhando o céu. Cintilam a ambição. Ouro tirado da terra retorna à ela sem precisão. É preciso mais que desejos para fazer deste um lugar de oração. Quantas moedas penduradas nas orelhas brincam de ser importantes? Quantos mineiros pendurados no penhasco sonham ser estrelas brilhantes?
Este livro inclui a ideia de que é possível fazer parte da voz que esclarece: O fora não existe, ele compõe o todo, o lixo é ideia reciclável e a ecologia humana, para além de reflexão, é prática aplicada.
E aos olhos do sol, o que gira permanece inalterado perpetuamente? Produtos transformados. No fim o que importa é o meio, o processo.
idealização
“A escolha deste tema adveio da sua relevância em termos ambientais, sociais, económicos, políticos e éticos. A época em que vivemos foi denominada “apoteose do lixo” pela professora e investigadora Gabrielle Hecht. Acontece que a humanidade vive num só planeta. Se nos concedermos um desvario de imaginação e pensarmos na Terra como uma “ilha” suspensa no universo, sem escapatória, adivinhamos que o destino de uns poderá ser o destino de todos os seres que nela habitam” Sónia Nobre Lisboa, 8 de maio de 2022.
