megaprojetos em almada

Tendo em vista a dinâmica sociocultural e a complexidade cultural relativas a implantação de Projetos de Engenharia de Grande Dimensão que alteram o território em curto período de tempo, torna-se pertinente investigar a escala de magnitude de impactos socioambientais e o processo de gestão territorial a partir de possíveis modelos de desenvolvimento sustentável que sejam compatíveis com as vocações territoriais.

ouvir para desenvolver

Todos humanos. Como compreende-los? Seus medos? Suas obras? Seus planos e manobras? Somos reflexos modernos: Refletimos tempos. E quantos somos se juntos multiplicamos: a fome, a produção, a necessidade, a ação? Acumulamos conceitos, eco-somamos somos lógicas, estudamos humanos, dissecamos humanos, repartimos humanos, contamos e cortamos seus pensamentos. Subdividimos, parte por parte. Parte porque queremos: Humanizar peixes ou ser pássaros. Parte porque buscamos a raíz comum e a diversidade. As pequenas comunidades diante de iminentes impactos de megaprojetos se deparam com as questões comuns relativas ao desenvovimento do território. Como ouvir para deenvolver é a proposta desta pesquisa.

e se o território é beira de rio e flui?

Valendo-se da reflexão conceitual do termo território, também revisitado nessa investigação, chega-se ao “aquatório” uma terminologia que inclui no território determinadas caracteristicas de locais próximos ao rio que flui identidades e pertencimentos, que une lugares e tempos, subjacentes a um sistema de territórios que implicam-se uns aos outros.

A diversidade cultural inspira-se na biodiversidade local, no território, e na forma como o ser humano assimila as informações e sensações que o território lhe oferta. Se o território é beira de água, poderia ser chamado aquatório, e permitiria assim uma investigação ainda mais aprofundada no que diz respeito à territorialidade. Afinal um território de água flui, traz e leva pertencimentos. Vive a estabelecer uma forma de produção cultural que o permeia, estabelecendo uma identidade comum ao longo de um lugar que perpassa lugares. O aquatório de beira de rio é o território que flui, navega e dança, levando pertences a jusante, trazendo memórias de montante, mareando olhos distantes, como se fossem filhos de um mesmo olho d’água. O aquatório de beira de mar reúne olhos que não se veem, mas refletem o mesmo lugar.

“A Trafaria era considerada lugar das crianças virem para a praia, agora só os velhos ficaram na Trafaria”

— Morador da Trafaria, 72 anos